Esperar para viver

o impacto da falta de critérios na fila do SUS para cirurgias cardíacas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.62530/rbdc25p463

Palavras-chave:

disparidade no atendimento especializado, critérios de triagem em sistemas públicos de saúde, intervenção judicial na alocação de recursos, prioridade assistencial em alta complexidade, governança sanitária e eficiência distributiva

Resumo

Contexto: as doenças cardiovasculares representam uma das principais causas de morte no Brasil, exigindo procedimentos de alta complexidade que pressionam o Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse contexto, a falta de critérios objetivos e transparentes para a gestão da fila de espera de cirurgias cardíacas gera desigualdades no acesso, comprometendo princípios constitucionais como universalidade, equidade e isonomia. Problema: o problema central reside na subjetividade das avaliações médicas e na ausência de um sistema unificado de priorização, o que incentiva pacientes a recorrer ao Poder Judiciário para garantir seu direito, alimentando o fenômeno da judicialização da saúde. Objetivos: o objetivo deste estudo é analisar os impactos da ausência de critérios regulatórios claros na fila do SUS para cirurgias cardíacas e suas repercussões na judicialização, buscando apontar alternativas de gestão que assegurem maior justiça e transparência. Método: o método adotado foi uma revisão bibliográfica e documental, aliada à análise de jurisprudências nacionais e modelos internacionais de organização de filas. Resultados: os resultados apontam que, embora haja esforços recentes do Ministério da Saúde para ampliar a capacidade instalada e reduzir tempos de espera, as medidas ainda são insuficientes diante da elevada demanda reprimida, da escassez de profissionais e da falta de integração sistêmica. Experiências internacionais, como o e-SIGIC em Portugal e o modelo neozelandês de priorização, demonstram que sistemas de regulação baseados em critérios éticos, clínicos e transparentes podem aprimorar a equidade. Conclusão: conclui-se que a adoção de práticas semelhantes no Brasil, somada a investimentos estruturais e normativos, pode reduzir a judicialização, fortalecer a confiança da população no SUS e consolidar uma governança mais eficiente para a atenção especializada.

Biografia do Autor

  • Gabriela Teixeira, Universidade de Santa Cecília

    Possui graduação em Direito pela Universidade do Distrito Federal, pós-graduação em Direito Tributário pela Universidade Mackenzie de São Paulo e é mestranda em Direito Médico e da Saúde pela Universidade de Santa Cecília. Membro da Comissão de Direito Digital da OAB, seccional Maranhão e Sócia-administradora da Clínica Dicor Medicina Diagnóstica e Preventiva Ltda.

  • Amélia Cohn, Universidade de Santa Cecília

    Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1967), mestrado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (1972) e doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (1980); professora associada pela Universidade de São Paulo (1992). É sócia do CENTRO INTERNACIONAL CELSO FURTADO, membro da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SAÚDE COLETIVA. Em 1995 recebeu a comenda de Comendadora da Ordem do Rio Branco. Foi presidente e pesquisadora do CEDEC. Tem como linhas de pesquisa: políticas de saúde no Brasil e na América Latina, políticas de combate à pobreza e à desigualdade social, sistemas de proteção social. Autora entre outros, de Cartas ao Presidente Lula - bolsa família e direitos sociais. Atualmente é professorra do programa de Mestrado em Direito da Saúde: dimensões individuais e coletivas, Universidade Santa Cecília. 

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Publicado

2025-12-20

Declaração de Disponibilidade de Dados

Os dados utilizados neste estudo são de acesso público e foram obtidos a partir de artigos científicos e outras publicações já disponíveis

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Artigos

Como Citar

TEIXEIRA, Gabriela Maria; COHN, Amélia. Esperar para viver: o impacto da falta de critérios na fila do SUS para cirurgias cardíacas. Revista Brasileira de Direito Constitucional, [S. l.], v. 25, p. 463–476, 2025. DOI: 10.62530/rbdc25p463. Disponível em: https://rbdc.com.br/revista/article/view/394. Acesso em: 1 jan. 2026.